Rogério Maurício (editor do Super Notícia)

Foto: Leandro Melito

Por Marina Lopes ( 2º ano/ Mackenzie)

Rogério Maurício, editor do Super Notícia, com experiências anteriores em política e esportes pela CBN BH e Jornal O Tempo, falou sobre o Jornalismo Popular durante o 7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji.

Ele saiu de Belo Horizonte e dividiu a mesa com Paulo Oliveira, diretor da Abraji e secretário de Redação do Jornal A Tarde, para discutir o rumo deste formato que apresenta um crescente índice de vendas.

O editor o tabloide Super Notícia, com maior tiragem do Brasil e vendido por R$0,25, fala sobre a experiência no congresso, preconceito e limites éticos.

Como foi a sua experiência em participar do 7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji?

Primeiro, foi muito gratificante, porque tem tanta gente interessada no assunto, e perece que, principalmente em um congresso que vem gente de todo lugar do Brasil, com vários temas, o jornal popular ficaria de lado. Porém, eu vi que teve muita procura, muita gente interessada no tema e isso foi muito gratificante para mim.

Muitas pessoas ainda possuem preconceito com o jornal popular. Como é possível diminuir isso?

Você não pode ter preconceito. Muito jornalista acredita que o jornal popular é um subproduto, mas quando a pessoa ou o jornalista passa a conhecer o trabalho isso acaba. O jornalismo popular, nada mais é do que o jornalismo normal. A linguagem é parecida com o jornalismo tradicional, a gente ouve várias partes, porém direcionada para seu público que não está muito acostumado com a leitura diária.

Isso é um mercado de trabalho em que existem muitas vagas e muitos meios de comunicação. O jornalista precisa aproveitar essa onda e mostrar que tem talento na área.

O que um jornalista precisa para fazer jornalismo popular bem feito?

Ele precisa primeiro se identificar com as pessoas e se colocar no lugar do povo. Por exemplo, quando você vai fazer uma matéria com uma mãe que perdeu um filho, você não pode chegar rindo no local, ou quando você faz a matéria de um buraco na rua, não pode falar para a pessoa que ele mora em um lugar ruim.

Da mesma forma que o jornalista político mostra para as pessoas o que está ocorrendo no Congresso, o jornalista popular precisa traduzir e mostrar o que as pessoas estão passando. Ele não precisa fazer nada demais, apenas ser jornalista.

Em relação aos limites éticos da profissão, até que ponto você acredita que pode sensacionalizar um fato que, muitas vezes, envolve o sofrimento das pessoas? Como não passar essa linha tênue?

Essa questão é muito importante, pois estamos mexendo com pessoas.  Quando você faz uma matéria de economia que mexe com números, é uma coisa, porém quando você evolve pessoas que não tem como se defender é outra.  Os grandes empresários, pessoas da classe A e B, que tem acesso a informação, podem se defender. Muita gente pensa que por estar falando com quem não tem isso pode tratar de qualquer forma. Temos que ser éticos em todos os níveis, e mais do que isso, o jornalismo popular precisa de respeito.

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Jornalismo na liguagem do povo

Sobre o Congresso
O 7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio/apoio da TV Globo, Correio Braziliense, Embraer, Estadão, Folha, Gol, Grupo Bandeirantes, Shopping Iguatemi, McDonalds®, O Globo, Oi, Tam e UOL, e cooperação de Associação Nacional de Jornais, Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center, Lincoln Institute of Land Policy, Oboré, Open Society Foundations, Panda Books, Propeg, Textual e UNESCO.

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